sexta-feira, 18 de maio de 2012

A nossa "Sé"de cada dia

Todos os dias a caminho do trabalho cruzo a Praça da Sé, ponto turístico de São Paulo com lindos monumentos, dentre eles a imponente Catedral da Sé, que é um dos cinco maiores templos neogóticos do mundo. Realmente acho a praça lindíssima, mas o que mais mexe comigo são as pessoas que vejo todos os dias naquele lugar. São Paulo é a capital com a maior diversidade de etnias e na Sé isso fica ainda mais evidente. São tantas pessoas, tantas culturas e o mais perceptível: tantas classes sociais convivendo num mesmo espaço, que às vezes fico espantada. Ao mesmo tempo em que cruzam a praça executivos de todas as idades e, principalmente, advogados a caminho dos diversos órgãos do judiciário que estão naqueles arredores, vários turistas tiram fotos e paulistanos passam apressados em direção ao metro, a praça é ainda moradia de vários filhos dessa pátria nem sempre tão gentil. Eles vivem ali, abandonados a sua própria sorte. São jovens e idosos, homens e mulheres, que fazem da Sé sua “casa”. Não tento entender o porquê, mas me pergunto quais os caminhos levam um ser humano a viver de forma tão sofrida. Não raro escuto os comentários das pessoas que estão no ônibus que pego lá na praça sobre esses nada ilustres moradores: algumas senhoras culpam o governo, alguns senhores xingam os moradores de vagabundos e algumas madames seguram tão firme as bolsas e resmungam tanto que fico tentada a perguntar porque elas não estão num táxi ou com um motorista particular passeando no shopping. Tudo bem, confesso que sei que eles podem ser violentos e tentar te roubar, mas venhamos e convenhamos, a vida roubou deles tanta coisa, talvez a própria dignidade e nenhum ser humano merece ter como teto o frio da noite e como companheiro diário o desprezo dos seus semelhantes. Não sou uma pessoa que faz trabalhos voluntários, que vive em função dos outros, mas tenho consciência de minhas responsabilidades enquanto cidadã e sei que um sorriso ou um bom dia ou simplesmente o passar ao lado de um morador de rua sem demonstrar horror por ele, já é um acalento para o coração dessas pessoas que vivem na Capital dos Negócios e são tratados como coisa pela maioria das pessoas. Os moradores da Sé não são meus amigos, nunca fiz nada por eles, nem pra ajudar nem pra atrapalhar, mas a cada dia eles me ajudam a perceber o quanto o ser humano é frágil e que se hoje estamos bem, o amanhã é sempre incerto. Muitas vezes olho para a Catedral e imagino que esses moradores escolheram a Praça da Sé como moradia na esperança que, diante de tão imponente templo, Deus apareça e os salve dessa vida tão difícil!

Um comentário:

Joao Vitor pereira cunha disse...

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